A Uber anunciou, nesta quinta-feira (22), que vai disponibilizar o ChatGPT Work para mais de 30 mil funcionários em todo o mundo. A decisão amplia a parceria com a OpenAI e acontece após a empresa testar a ferramenta com mil profissionais de diferentes departamentos.
Com a mudança, funcionários das áreas de finanças, operações, marketing e desenvolvimento de produtos terão acesso ao agente de inteligência artificial (IA), capaz de executar tarefas e automatizar processos.
Segundo o TechCrunch, a Uber pretende incorporar a tecnologia à rotina de toda a companhia, embora ainda não tenha definido exatamente como cada equipe deverá utilizá-la. Também não foi informado se o uso será obrigatório.
Como a Uber vai usar o ChatGPT Work?
Lançado em julho, o ChatGPT Work é uma ferramenta que permite delegar atividades mais complexas à inteligência artificial, incluindo tarefas que envolvem diferentes aplicativos e documentos.
Na Uber, o sistema poderá acessar serviços como Google Drive, Gmail, Google Agenda e Slack, utilizando essas informações para produzir relatórios, analisar dados e preparar apresentações.
Durante a fase de testes, cerca de 80% dos mil participantes não trabalhavam com engenharia de software.
Ao TechCrunch, o vice-presidente de engenharia da Uber, Sumanth Sukumar, explicou que os funcionários utilizaram a IA para identificar tendências em dados operacionais, adaptar materiais de treinamento para diferentes idiomas e desenvolver painéis personalizados.
A empresa também realizou um experimento com 30 engenheiros de IA, que trabalharam durante duas semanas com diferentes equipes para automatizar atividades.
A implementação será acompanhada de treinamentos internos. Segundo a OpenAI, o GPT-6.1 Sol será o modelo padrão da ferramenta, enquanto os desenvolvedores continuarão utilizando o Codex para programação.
Ainda não há informações sobre quanto a Uber pagará pelo contrato. A companhia pretende monitorar os resultados da implementação antes de definir os próximos passos.
Uber já havia esgotado orçamento de IA em abril
A decisão chama atenção porque a Uber já havia demonstrado preocupação com o aumento dos gastos internos com inteligência artificial.
Na ocasião, o diretor de operações e presidente da Uber, Andrew Macdonald, questionou a relação entre o dinheiro investido e os resultados obtidos.
O executivo explicou que o aumento no consumo de tokens, unidades utilizadas para medir o processamento das ferramentas de IA, não havia se traduzido em um crescimento proporcional na quantidade de recursos entregues aos usuários.
Somente em 2025, a Uber desembolsou US$ 3,4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, montante que inclui diferentes projetos tecnológicos e não se limita à inteligência artificial.
A empresa também acelerou a utilização de IA na programação. Em agosto, o CEO Dara Khosrowshahi afirmou que a adoção de ferramentas desse tipo estava próxima de 100% entre os engenheiros, com aumento na quantidade de código produzido por profissional.
Aposta em IA também envolve bilhões em carros autônomos
Fora dos escritórios, a Uber também comprometeu bilhões de dólares com tecnologias de direção autônoma, que dependem de sistemas avançados de inteligência artificial.
Em março, anunciou um acordo para investir até US$ 1,25 bilhão na Rivian até 2031, condicionado ao cumprimento de metas de desenvolvimento. O objetivo é colocar veículos autônomos na plataforma a partir de 2028.
Outro investimento envolve a Lucid, fabricante de carros elétricos. A Uber ampliou seu compromisso financeiro com a companhia para US$ 500 milhões em abril, dentro de uma parceria para desenvolver robotáxis.
Em agosto, a empresa informou que espera comprometer mais de US$ 10 bilhões ao longo dos próximos anos com veículos autônomos, incluindo participações em empresas, infraestrutura e compromissos de aquisição de veículos.
Esses valores pertencem à estratégia de mobilidade autônoma e são separados do contrato com a OpenAI, cujo custo permanece desconhecido.
Com a expansão do ChatGPT Work, a Uber agora pretende avaliar se o uso de agentes de IA por toda a força de trabalho consegue produzir resultados suficientes para justificar a adoção em escala global.
Passei cerca de duas semanas usando o Redmi Headphones Neo e percebi uma diferença significativa na experiência musical dependendo de uma configuração: o cancelamento ativo de ruído (ANC). Com a função desligada, o som deixa a desejar, enquanto o ANC ligado melhora consideravelmente a percepção dos detalhes das músicas.
O headphone da Xiaomi também oferece boa bateria, conexão Bluetooth estável e uma construção que agrada. O conforto é satisfatório para longas sessões de uso e o cancelamento de ruído cumpre sua função, embora longe de impressionar.
O Neo é um fone de entrada que entrega o básico sem grandes problemas, mas existem alternativas que entregam mais qualidade sonora, bateria ou cancelamento de ruído.
Prós e contras
Prós
Contras
Boa construção e design discreto
Áudio perde qualidade perceptível sem ANC
ANC satisfatório para a categoria
Cancelamento de ruído inferior ao de concorrentes
Bateria com boa duração
Equalização faz pouca diferença
Conexão multiponto rápida e estável
Não acompanha cabo USB-C
Controles físicos bem posicionados
Bateria dura menos por conta do ANC ligado quase que 100% do tempo
Notas do produto
Categoria
Nota
Bateria
4/5
Conectividade
4,5/5
Conforto
3,5/5
Construção
4/5
Áudio
3/5
Cancelamento de ruído
3,5/5
Recursos
3,5/5
Geral
3,7/5
Para quem é o Redmi Headphones Neo?
O Redmi Headphones Neo é indicado principalmente para quem encontrou o modelo com um bom desconto e precisa de um fone simples para ouvir músicas, trabalhar ou assistir a vídeos.
Ele oferece os recursos básicos esperados de um headphone Bluetooth, além de ANC e conexão com dois dispositivos simultaneamente.
Durante meus testes, consegui utilizá-lo por várias horas sem grandes problemas de conforto ou conectividade. A bateria também não foi uma preocupação constante, mesmo utilizando o cancelamento de ruído na maior parte do tempo.
Por outro lado, quem espera algo a mais na qualidade musical, na autonomia ou no cancelamento de ruído deve considerar outras opções.
O JBL Tune 730BT, por exemplo, apresentou uma reprodução musical mais clara e se destacou pela bateria durante meus testes. Já o QCY H3 oferece um cancelamento de ruído mais eficiente e também levou vantagem na experiência sonora.
Quanto vale a pena pagar no Redmi Headphones Neo?
O Redmi Headphones Neo chegou oficialmente ao Brasil por R$ 799,99, mas já pode ser encontrado por valores consideravelmente menores. Na consulta realizada para este review, havia anúncios na faixa de R$ 310 a R$ 370, enquanto a loja oficial da Xiaomi ainda apresentava preços próximos dos R$ 800.
Para mim, o preço ideal seria entre R$ 200 e R$ 240, especialmente em uma boa promoção. Acima disso, começaria a considerar outras opções.
O QCY H3, por exemplo, era oferecido por aproximadamente R$ 300 na loja oficial da fabricante durante a consulta. Já o JBL Tune 730BT aparecia por R$ 309 no site da JBL, com desconto adicional no Pix.
Considerando essas alternativas, fica difícil justificar a compra do Neo por valores muito superiores aos R$ 200. O headphone funciona bem para necessidades básicas, mas não entrega uma experiência que justifique pagar mais do que o necessário.
Depende do modo utilizado. O Redmi Headphones Neo oferece uma experiência musical satisfatória com o ANC ligado, mas perde bastante quando o cancelamento é desativado.
Durante os testes, percebi que, sem o ANC, alguns elementos menos evidentes das músicas ficam mais difíceis de identificar. Os graves também perdem impacto, algo que incomoda especialmente em faixas de rap e hip-hop, nas quais as frequências mais baixas têm bastante importância.
Com o cancelamento ativado, a experiência melhora consideravelmente. Os diferentes elementos das músicas ficam mais perceptíveis e os graves ganham destaque.
A diferença foi suficiente para eu atribuir nota 5/10 à reprodução com ANC desligado e 7/10 com a função ligada. E claro, já levando em consideração que com o ANC ativado a experiência ficaria melhor pelo som mais limpo em qualquer fone. Neste caso, sinto que o ANC se torna necessário e não um “a mais” para melhorar o som.
O Neo utiliza drivers dinâmicos de 40 mm com revestimento de titânio, segundo a Xiaomi. O modelo também possui certificação Hi-Res Audio, mas esse recurso está disponível apenas na reprodução com fio por USB-C, que não foi o foco dos meus testes.
Mesmo com o ANC, a qualidade sonora não chega a surpreender. Em comparação, o JBL Tune 730BT, que sequer possui cancelamento ativo de ruído, conseguiu entregar mais clareza na reprodução musical.
O cancelamento de ruído do Redmi Headphones Neo é bom?
Sim, mas existem opções melhores na mesma faixa de preço.
A Xiaomi promete cancelamento de até 42 decibéis (dB), com três níveis de intensidade e um modo adaptativo, que ajusta automaticamente o ANC conforme os ruídos do ambiente.
Nos testes, o cancelamento funcionou bem para reduzir sons externos, mas minha preferência foi manter a intensidade sempre no máximo. Nos níveis mais baixos, o isolamento perde parte da eficiência, especialmente considerando a diferença que o ANC também faz na experiência musical.
O QCY H3, que já testei anteriormente, conseguiu apresentar um desempenho superior nesse quesito.
O Neo também possui um modo Transparência, que permite ouvir sons externos sem retirar o fone. O recurso funcionou bem e considero uma alternativa mais interessante para situações em que preciso prestar atenção ao ambiente ou conversar com alguém.
Por isso, acabei encontrando pouca utilidade nos níveis intermediários de ANC. No uso cotidiano, preferi manter o cancelamento máximo e recorrer à Transparência quando necessário.
Quanto dura a bateria do Redmi Headphones Neo?
A Xiaomi promete até 72 horas de reprodução musical com uma carga completa, mas esse número considera o ANC desligado, volume em 50% e conexão utilizando o codec AAC.
Durante as duas semanas de testes, a bateria apresentou uma duração satisfatória. Entretanto, como utilizei o cancelamento de ruído na maior parte do tempo, o consumo foi maior do que nas condições anunciadas pela fabricante.
O carregamento também agradou. Em um teste, conectei o headphone à tomada às 9h15, quando estava com 15% de bateria. Às 10h56, o nível já havia chegado a 100%, totalizando 1 hora e 41 minutos para recuperar 85 pontos percentuais.
A fabricante também promete até cinco horas de reprodução com apenas dez minutos de carregamento, em condições específicas de teste e com ANC desligado.
O Redmi Headphones Neo é confortável?
Sim. O Redmi Headphones Neo não se destaca pelo conforto, mas também não apresentou problemas relevantes durante os testes.
Utilizei o headphone por longas sessões, inclusive no escritório, sem sentir dores nas orelhas. Depois de algumas horas, é possível perceber algum desconforto, mas nada que obrigue a interromper o uso.
As almofadas são revestidas em couro sintético, conhecido como courino, e podem esquentar um pouco quando você está em movimento. No escritório, esse aquecimento não chegou a incomodar.
A construção também agradou. Testei a versão preta, que tem um design discreto e tradicional, com estrutura leve e aparência resistente. Segundo a Xiaomi, o produto pesa aproximadamente 263 gramas.
O fone pode ser ajustado e articulado para facilitar o transporte, embora não fique especialmente compacto. Os botões físicos são bem posicionados e fáceis de identificar durante o uso.
Um ponto negativo está nos acessórios. A caixa inclui apenas o headphone e o manual, sem cabo USB-C para carregamento ou qualquer bolsa de proteção.
Como funciona a conexão do Redmi Headphones Neo?
A conectividade foi um dos pontos que mais gostei no Redmi Headphones Neo.
O modelo utiliza Bluetooth 5.4 e permite conectar dois dispositivos simultaneamente. Durante os testes, consegui manter o computador e o celular pareados sem problemas, com alternância rápida e conexão estável.
O alcance também agradou, permitindo utilizar o fone a uma boa distância do dispositivo conectado.
Para configurações adicionais, a Xiaomi oferece o aplicativo Xiaomi Earbuds, que permite ajustar o cancelamento de ruído e modificar a equalização do som.
A interface é simples de utilizar, mas os ajustes de equalização não fizeram uma diferença significativa na minha experiência. Mesmo experimentando diferentes configurações, não senti necessidade de abandonar o perfil padrão durante o uso cotidiano.
As duas falhas críticas de segurança do PHP, que colocaram milhões de sites em alerta nesta semana, já eram alvo de tentativas de exploração por hackers desde 17 de outubro, quatro dias antes da divulgação das correções. A descoberta foi feita pela Amazon Web Services (AWS), que identificou atividades suspeitas em seus sistemas de monitoramento.
Segundo informações divulgadas pela Wired nesta quinta-feira (22), os ataques começaram antes mesmo do vazamento de informações sobre as vulnerabilidades, ocorrido na terça-feira (20).
A descoberta representa um novo desdobramento do alerta global de segurança provocado pelas falhas no PHP. As duas brechas, identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, receberam classificação de gravidade de 9,2 em uma escala de 0 a 10.
Apesar das tentativas registradas, ainda não há confirmação de invasões bem-sucedidas. À Wired, a PHP Foundation, organização que apoia o desenvolvimento da linguagem, afirmou não ter conhecimento de casos em que invasores conseguiram executar códigos maliciosos remotamente utilizando as vulnerabilidades.
Como os hackers exploraram as falhas antes da correção?
A Amazon identificou os primeiros ataques ao analisar registros de sua rede MadPot, formada por servidores-isca, conhecidos como honeypots (potes de mel, em inglês).
Esses sistemas são utilizados para atrair tentativas de invasão e permitir que pesquisadores acompanhem as técnicas empregadas por criminosos.
O primeiro registro, de 17 de outubro, partiu de um endereço IP associado a um serviço comercial de anonimização, como uma rede de proxies ou VPN.
Segundo CJ Moses, diretor de segurança da AWS, a utilização desse tipo de infraestrutura para tentar explorar uma vulnerabilidade ainda mantida em sigilo indica uma possível atividade criminosa.
Entretanto, os pesquisadores não conseguiram determinar como o responsável pelo ataque obteve informações sobre a falha antes da divulgação pública.
A situação se intensificou em 21 de outubro. A Amazon identificou novas tentativas a partir das 2h UTC, equivalentes às 23h de terça-feira (20) no horário de Brasília, aproximadamente 12 horas antes da liberação das correções.
Nas seis horas seguintes, outros ataques partiram de diferentes serviços de anonimização e utilizaram códigos maliciosos distintos.
Para os pesquisadores, as diferenças sugerem a atuação de múltiplos grupos ou indivíduos, embora ainda não seja possível identificar os responsáveis.
Milhões de tentativas de invasão após divulgação das falhas
O número de ataques cresceu rapidamente depois que as vulnerabilidades se tornaram públicas.
Segundo Matthew Prince, CEO da Cloudflare, a empresa registrou milhares de tentativas de exploração nas dez horas anteriores à divulgação oficial.
O volume chegou a dezenas de milhares de tentativas nos primeiros 45 minutos após o anúncio e ultrapassou a marca de centenas de milhares em duas horas.
Ainda na quarta-feira (21), a quantidade acumulada de tentativas identificadas pela Cloudflare já havia chegado à casa dos milhões, conforme informações divulgadas pela Reuters.
A empresa também observou invasores modificando os códigos utilizados nos ataques para tentar contornar seus mecanismos de proteção.
Apesar do volume, é importante diferenciar tentativas de exploração de invasões efetivamente realizadas. Os números não significam que milhões de sites tenham sido comprometidos.
A Cloudflare afirma ter implementado proteções antes da divulgação oficial das vulnerabilidades, inclusive para clientes que utilizam seu serviço gratuito.
Essas medidas, porém, são temporárias e não substituem a atualização do PHP.
O que muda para quem já corrigiu as falhas?
A descoberta de ataques anteriores à divulgação pública exige que administradores de sites verifiquem se seus sistemas foram comprometidos antes da instalação das atualizações.
Segundo a Amazon, a recomendação é analisar registros de atividades suspeitas desde pelo menos 17 de outubro, e não apenas a partir de quarta-feira (21), quando as correções foram liberadas.
Entre os sinais que devem ser investigados estão requisições suspeitas enviadas aos servidores, execução inesperada de processos e alterações desconhecidas em arquivos.
A aplicação das correções impede a exploração das vulnerabilidades conhecidas, mas não desfaz eventuais alterações realizadas por invasores anteriormente.
A AWS também alerta que o avanço da inteligência artificial pode reduzir o intervalo entre a divulgação de uma falha e o desenvolvimento de ferramentas capazes de explorá-la.
Segundo a empresa, ferramentas de IA permitem analisar correções e identificar maneiras de contorná-las em questão de horas ou minutos. Entretanto, não há evidências de que os ataques identificados neste caso tenham utilizado inteligência artificial.
Até o momento, as empresas responsáveis pelo monitoramento não divulgaram um número confirmado de sites efetivamente invadidos por meio das duas vulnerabilidades.
Uma equipe de pesquisadores utilizou quase 2 mil agentes de inteligência artificial (IA) da OpenAI para analisar dados de milhões de células cerebrais e identificar, em 32 minutos, possíveis pistas sobre doenças neurodegenerativas. Entre as descobertas está uma ligação entre o metabolismo do colesterol e a síndrome de Perry, condição rara que provoca sintomas semelhantes aos do Parkinson.
O experimento foi conduzido pela OpenAI em parceria com a empresa de biotecnologia PerturbAI e o instituto de pesquisa Scripps Research. Os resultados foram apresentados na quarta-feira (21).
Segundo os pesquisadores, uma análise equivalente, realizada por humanos de forma sequencial, poderia levar de alguns meses a um ano. A estimativa considera o tempo necessário para examinar alterações genéticas e consultar estudos científicos.
A pesquisa utilizou o GPT-Rosalind, modelo de IA da OpenAI especializado em biologia e desenvolvimento de medicamentos. Apesar dos resultados, as hipóteses identificadas ainda precisam ser verificadas em novos experimentos.
O que a IA descobriu sobre a doença?
Uma das principais descobertas envolve o gene DCTN1, associado à síndrome de Perry, doença neurodegenerativa que pode provocar tremores, lentidão de movimentos e rigidez muscular, sintomas também encontrados em pacientes com Parkinson.
Ao analisar experimentos realizados com células cerebrais de camundongos, os agentes identificaram que a interrupção do funcionamento desse gene aumentava a atividade de outros genes responsáveis pela produção de colesterol.
A IA relacionou o resultado a pesquisas anteriores que apontavam problemas no transporte de colesterol dentro das células. Uma possível explicação é que, diante dessas dificuldades, as células passem a produzir mais colesterol para compensar o desequilíbrio.
A hipótese levantada pelos agentes é que alterações na distribuição dessa substância possam contribuir para a degeneração dos neurônios.
Os pesquisadores querem investigar se restaurar o transporte adequado de colesterol poderia ajudar a proteger essas células. Ainda não há comprovação de que essa estratégia funcione como tratamento.
O sistema também encontrou diferenças inesperadas entre os genes Tsc1 e Tsc2, associados à esclerose tuberosa, condição genética que pode afetar o cérebro e outros órgãos.
Embora os dois genes atuem juntos na regulação do crescimento celular, a alteração do Tsc2 provocou mudanças na atividade de dezenas de genes ligados à comunicação entre neurônios do cerebelo, região responsável pela coordenação dos movimentos.
Já a alteração do Tsc1 teve efeitos muito menores nas mesmas células, o que pode ajudar pesquisadores a entender por que determinadas mutações estão associadas a manifestações neurológicas diferentes.
Como os agentes de IA fizeram isso em 32 minutos?
Para realizar o experimento, os pesquisadores utilizaram um conjunto de dados de aproximadamente 8 milhões de células cerebrais de camundongos, obtidos em estudos que investigaram os efeitos da alteração de milhares de genes.
Essas informações já haviam sido coletadas anteriormente. O trabalho da IA consistiu em interpretar os resultados e relacioná-los ao conhecimento científico disponível.
A equipe dividiu o trabalho entre milhares de agentes baseados no GPT-Rosalind. Cada um ficou responsável por investigar uma alteração genética específica, analisar seus efeitos nas células e buscar estudos que ajudassem a explicar os resultados.
Posteriormente, os relatórios foram reunidos em um banco de informações que relaciona genes, respostas celulares, publicações científicas e possíveis mecanismos biológicos.
A estratégia também apresentou resultados superiores aos de um único agente encarregado de examinar todo o material.
Na maior carga de trabalho testada, um agente individual citou apenas 11 referências científicas. O sistema distribuído reuniu mais de 700 referências, permitindo examinar uma quantidade maior de possíveis explicações.
Em outra avaliação, especialistas humanos receberam relatórios produzidos pelas duas abordagens, sem saber qual havia elaborado cada documento.
Os profissionais preferiram os resultados dos agentes distribuídos em 75% das comparações, considerando a qualidade das interpretações apresentadas.
IA pode acelerar a descoberta de tratamentos?
O experimento indica que a inteligência artificial pode ajudar cientistas a aproveitar informações que já foram coletadas, mas ainda não passaram por uma análise aprofundada.
Segundo a OpenAI, experimentos modernos conseguem produzir dados sobre milhões de células e milhares de alterações genéticas. Entretanto, interpretar todos esses resultados exige consultar uma grande quantidade de pesquisas anteriores.
Nesse cenário, os agentes podem ajudar a identificar relações pouco exploradas e selecionar hipóteses que merecem novos testes.
Há, porém, limitações importantes. O estudo, disponibilizado em 16 de outubro na plataforma bioRxiv, ainda não passou por revisão independente de outros cientistas. Além disso, os dados utilizados foram obtidos de camundongos.
As possíveis relações identificadas entre alterações genéticas, colesterol e doenças neurodegenerativas precisam ser confirmadas experimentalmente antes de qualquer aplicação médica.
O trabalho também não demonstrou uma cura para o Parkinson ou para a síndrome de Perry. Por enquanto, o principal resultado é a possibilidade de acelerar etapas da pesquisa científica, permitindo que especialistas concentrem seus esforços nas hipóteses consideradas mais relevantes.
Uma equipe de pesquisadores conseguiu, com ajuda do GPT-5.6 Sol, da OpenAI, demonstrar em cerca de duas semanas como explorar uma falha crítica de segurança do PHP que permanecia sem solução desde 2024. A vulnerabilidade, conhecida por desenvolvedores havia dois anos, está entre as duas brechas que provocaram um alerta global de segurança na quarta-feira (21).
O caso foi detalhado pela empresa de segurança Calif e pela PHP Foundation, organização responsável por apoiar o desenvolvimento da linguagem de programação utilizada em grande parte dos sites da internet.
Segundo os pesquisadores, a inteligência artificial ajudou a identificar caminhos para explorar uma falha cuja gravidade ainda não havia sido completamente demonstrada.
O problema permitia, em determinadas condições, que invasores executassem códigos maliciosos remotamente em servidores, sem precisar de uma senha.
As duas vulnerabilidades receberam pontuação de gravidade de 9,2 em uma escala de 0 a 10 e foram corrigidas em atualizações disponibilizadas nesta semana.
Como a IA encontrou uma falha que existia há dois anos?
A história começou em 2024, quando uma auditoria de segurança conduzida pela Quarkslab identificou indícios de problemas no gerenciamento de memória do PHP.
Na ocasião, os especialistas suspeitaram que a vulnerabilidade poderia ser explorada, mas não conseguiram encontrar um caminho concreto para executar ataques.
As dificuldades permaneceram até julho de 2026, quando a Calif iniciou uma nova investigação como parte do programa Patch the Planet, organizado pela OpenAI para identificar e corrigir vulnerabilidades em softwares amplamente utilizados.
O trabalho começou em 30 de julho. Já em 1º de agosto, os pesquisadores haviam encontrado maneiras de explorar o problema, utilizando ferramentas de inteligência artificial para analisar o código e investigar possíveis falhas.
Em 11 de agosto, o pesquisador Ryan Austin comunicou a vulnerabilidade aos responsáveis pelo PHP. Três dias depois, a Calif apresentou uma prova de conceito, demonstração técnica de que a falha poderia ser explorada em um ataque real.
A equipe de desenvolvimento do PHP confirmou o funcionamento da exploração em 15 de agosto, aproximadamente duas semanas após o início da investigação.
Segundo a OpenAI, a Calif utilizou o GPT-5.6 Sol durante o processo. Pesquisadores da própria empresa também identificaram, de maneira independente, a mesma origem do problema em 11 de agosto.
A investigação ainda contou com a participação da empresa de segurança Wiz, que encontrou as duas vulnerabilidades de forma independente.
Por que os desenvolvedores demoraram tanto para corrigir o PHP?
A demora envolveu dificuldades técnicas e problemas na organização da equipe de segurança do PHP.
Em comunicado divulgado na quarta-feira (21), a PHP Foundation reconheceu que os responsáveis pela linguagem chegaram a desenvolver diferentes propostas de correção desde 2024, mas nenhuma avançou de forma satisfatória.
Algumas alternativas poderiam comprometer a compatibilidade com aplicações existentes. Outras introduziam novos riscos de segurança ou exigiam mudanças em extensões desenvolvidas por terceiros.
A ausência de uma demonstração concreta de ataque também dificultou a priorização do problema. Como a equipe contava com poucos especialistas capazes de modificar partes mais complexas do PHP, o trabalho foi interrompido e retomado diversas vezes.
A organização classificou o atraso como uma falha estrutural, relacionada à falta de recursos e ao processo interno de tomada de decisões.
Com as evidências apresentadas em agosto, a correção passou a ser tratada como prioridade. O desenvolvimento das atualizações envolveu profissionais que trabalharam em tempo integral, inclusive nos fins de semana.
IA pode encontrar falhas que programadores não conseguem?
O episódio mostra como modelos de inteligência artificial podem acelerar investigações de segurança, especialmente na análise de grandes volumes de código.
No relatório técnico publicado pela Calif, Ryan Austin explicou que partiu de seu conhecimento sobre vulnerabilidades antigas do PHP para orientar a ferramenta. A investigação recuperou problemas registrados em 2004 e 2020, que ajudaram a identificar possíveis pontos de exploração.
O pesquisador também ressaltou que a descoberta exigiu conhecimento especializado e perguntas direcionadas à IA. Segundo ele, modelos de linguagem ainda não conseguem encontrar todas as vulnerabilidades de um software apenas com comandos genéricos.
A PHP Foundation reconhece a utilidade dessas ferramentas para analisar relatórios e reproduzir ataques. Desde 1º de julho, a equipe publicou 15 registros de vulnerabilidades e precisou avaliar mais de 100 notificações consideradas inválidas, duplicadas ou impossíveis de reproduzir.
A maior quantidade de descobertas também aumenta a demanda por profissionais capazes de verificar os resultados e desenvolver correções.
No caso do PHP, os responsáveis pela linguagem implementaram as atualizações de segurança com apoio dos pesquisadores. As versões corrigidas foram disponibilizadas em 21 de outubro, após a divulgação antecipada de informações sobre as falhas.
A Anthropic anunciou, na quarta-feira (21), o Claude Duet, um novo aplicativo de inteligência artificial (IA) capaz de executar tarefas, organizar e-mails e acompanhar compromissos mesmo enquanto o usuário dorme. A ferramenta funciona como um assistente pessoal que toma iniciativas sem precisar receber comandos a todo momento.
Disponível para Android, iOS e pela web, o Duet utiliza o modelo Claude Opus 5.5 e foi desenvolvido principalmente para profissionais e pequenos empresários. A novidade chega para competir com agentes de IA como o Muse, da Meta, e o Dots, da OpenAI.
O lançamento, porém, ainda é limitado. Inicialmente, apenas assinantes dos planos Pro e Max do Claude nos Estados Unidos poderão testar a ferramenta, mediante inscrição em uma lista de espera.
Como funciona o Claude Duet?
O Duet funciona como um agente de IA, tecnologia capaz de executar ações em nome do usuário, incluindo atividades que exigem várias etapas e o uso de diferentes aplicativos.
Para isso, a ferramenta utiliza um computador virtual na nuvem, equipado com um navegador próprio. Dessa forma, consegue continuar trabalhando mesmo quando o usuário fecha o aplicativo ou desliga o celular e o computador.
Segundo a Anthropic, o assistente também aproveita a memória e as integrações já configuradas na conta do Claude. São mais de 6 mil conectores e plugins disponíveis no catálogo da empresa, incluindo serviços como Gmail, Slack, Google Calendar e Google Drive.
Entre as atividades que o Duet pode realizar estão:
Organizar e-mails: identificar mensagens importantes, preparar respostas e acompanhar conversas sem retorno;
Gerenciar compromissos: conferir a agenda, identificar conflitos de horários e ajudar no agendamento de reuniões;
Preparar relatórios: reunir informações de diferentes fontes, produzir pesquisas e criar apresentações;
Realizar compras: utilizar serviços de pagamento compatíveis, como Link e Shop Pay, mediante autorização do usuário.
Outro recurso é o resumo matinal. A IA analisa informações dos serviços conectados e apresenta os assuntos que considera mais importantes para o dia, além de sugerir providências.
O usuário também pode conversar com o Duet por texto ou voz, acompanhar tarefas em andamento e receber notificações quando alguma atividade exigir sua participação.
Apesar da proposta de funcionamento contínuo, a Anthropic explica que o aplicativo verifica os serviços conectados em intervalos de algumas horas. Isso evita que o acompanhamento consuma rapidamente os limites de utilização dos planos.
Claude Duet é parecido com o Muse e o Dots?
Sim. Os três aplicativos seguem a proposta de agentes de IA que trabalham de maneira proativa e conseguem executar atividades mesmo quando o usuário está ausente.
O Muse, lançado pela Meta em setembro, é voltado principalmente para atividades pessoais. Ele pode reservar viagens, realizar compras, preencher formulários e até negociar em nome do usuário, dependendo das permissões concedidas.
Já o Dots, apresentado pela OpenAI também em setembro, tem maior foco na continuidade de projetos e tarefas. Integrado ao ChatGPT, o agente consegue trabalhar com outros aplicativos, acompanhar mudanças e apresentar resultados para revisão, inclusive por meio do Slack e do Microsoft Teams.
O Claude Duet se aproxima dos dois concorrentes, mas dá maior destaque à organização da rotina profissional, ao gerenciamento de e-mails e à preparação de documentos.
Há também diferenças na forma de acesso. Enquanto o Dots funciona dentro do ecossistema do ChatGPT, o Claude Duet possui um aplicativo independente. O Muse, por sua vez, pode ser utilizado pelo próprio aplicativo ou pelo WhatsApp.
Quais são os limites e riscos da ferramenta?
A Anthropic afirma que o Duet exige autorização antes de realizar ações consideradas sensíveis, como enviar mensagens, concluir pagamentos, assinar documentos ou excluir informações.
Além disso, determinadas operações são bloqueadas mesmo com a permissão do usuário, incluindo negociações de ações e transferências de dinheiro entre contas.
A empresa também implementou mecanismos para tentar impedir o vazamento de informações confidenciais e ataques conhecidos como prompt injection, nos quais instruções maliciosas escondidas em páginas ou mensagens tentam manipular o comportamento da IA.
Essas proteções, contudo, não eliminam o risco de erros. A própria Anthropic reconhece que o Duet pode interpretar conversas incorretamente, avaliar mal a urgência de compromissos e apresentar dificuldades em tarefas pessoais, como reservar ingressos.
Por enquanto, o sistema também não permite que o usuário visualize diretamente o navegador utilizado pelo agente, o que limita o acompanhamento de determinadas atividades.
Claude Duet está disponível no Brasil?
Ainda não. Segundo a documentação oficial da Anthropic, a versão experimental do Claude Duet está restrita aos Estados Unidos e exige uma conta americana do Claude, assinatura Pro ou Max e convite da lista de espera.
Durante os testes, o aplicativo não terá cobrança adicional para esses assinantes. Entretanto, todas as atividades, inclusive verificações automáticas e tarefas executadas em segundo plano, consomem os limites de uso do plano contratado.
Os planos Team e Enterprise também ficaram de fora do lançamento inicial, embora a Anthropic pretenda ampliar o acesso futuramente.
Não há previsão anunciada para a chegada do Claude Duet ao Brasil. A empresa também não informou quando pretende disponibilizar o aplicativo para usuários gratuitos.
O Google anunciou nesta quarta-feira (21) um novo menu para personalizar o Gemini, que permite conectar aplicativos e criar funções específicas para diferentes tarefas. Chamado de “Customize” (Personalizar), o recurso reúne mais de 40 integrações com serviços externos e ferramentas para adaptar o funcionamento da inteligência artificial (IA).
A novidade está sendo disponibilizada gradualmente para usuários do Gemini na versão web, em celulares Android e iOS e nos aplicativos para Windows e macOS.
Segundo o Google, o objetivo é concentrar em um único espaço as configurações de personalização do assistente, incluindo conexões com outros serviços e instruções que podem ser reutilizadas em diferentes conversas.
Como funciona o novo menu do Gemini?
O Customize aparece na barra lateral do Gemini e é dividido em três seções:
Discover (Descobrir): apresenta sugestões de aplicativos e funções que podem ser adicionados ao assistente;
Connectors (Conectores): reúne serviços disponíveis para integração e permite gerenciar as conexões existentes;
Skills (Habilidades): permite acessar ferramentas prontas e criar instruções personalizadas para tarefas recorrentes.
Entre os aplicativos compatíveis estão serviços do próprio Google, como Google Fotos, YouTube e Gemini Notebook, além de plataformas externas como GitHub, Shopify e Dropbox.
As conexões permitem que o Gemini utilize informações e funcionalidades dos serviços autorizados, conforme as permissões concedidas pelo usuário.
Já as Skills, ou Habilidades,funcionam como conjuntos de instruções que podem ser reutilizados. É possível, por exemplo, criar uma função para revisar textos seguindo um estilo específico ou organizar informações para reuniões.
O recurso também permite combinar diferentes habilidades dentro de uma mesma conversa.
O novo menu pode ser utilizado diretamente no aplicativo ou na versão web do Gemini. Confira o passo a passo:
Abra o Gemini e acesse o menu lateral;
Selecione Personalizar;
Entre em Descobrir para visualizar as sugestões ou utilize a busca;
Escolha o aplicativo ou a Habilidade desejada;
Toque em Adicionar e siga as instruções para concluir a configuração.
As conexões podem ser gerenciadas ou desativadas posteriormente.
Segundo o Google, o lançamento é global e contempla contas pessoais, gratuitas e pagas, além de usuários do Google Workspace.
Entretanto, a liberação pode levar até 15 dias. A empresa também esclarece que a maioria das integrações externas está disponível inicialmente em inglês nos Estados Unidos, enquanto alguns serviços já podem ser utilizados em países como Brasil e Índia.
A Anthropic, criadora da inteligência artificial (IA) Claude, registrou um prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões (aproximadamente R$ 405 bilhões) no primeiro semestre de 2026. O resultado foi revelado às vésperas da abertura de capital da empresa na Bolsa de Valores, prevista para novembro, e aumenta a pressão sobre os investimentos bilionários no setor de IA.
Segundo documentos analisados pelo Wall Street Journal e pela Reuters, porém, US$ 72 bilhões do prejuízo correspondem a ajustes contábeis, relacionados à valorização de títulos que podem ser convertidos em ações da empresa. Portanto, a maior parte do valor não representa dinheiro efetivamente gasto no período.
Mesmo assim, os custos para desenvolver e operar modelos de inteligência artificial continuam elevados.
Apenas nos primeiros seis meses de 2026, a Anthropic gastou aproximadamente US$ 9 bilhões com capacidade de processamento e infraestrutura, contra US$ 2,3 bilhões no mesmo período do ano passado.
A empresa também assumiu compromissos de pelo menos US$ 518 bilhões ao longo de dez anos para contratar serviços de nuvem, equipamentos e infraestrutura de IA.
Por que a Anthropic teve um prejuízo tão grande?
O prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões representa um aumento expressivo em relação aos US$ 13 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025.
A maior parte da diferença está relacionada à reavaliação de títulos conversíveis em ações, utilizados pela empresa para captar recursos.
Esses instrumentos permitem que investidores recebam ações futuramente, conforme as condições estabelecidas nos contratos. Quando o valor estimado dessas participações aumenta, a empresa pode precisar reconhecer uma despesa contábil maior.
Foi o que aconteceu com a Anthropic. Os US$ 72 bilhões refletem principalmente a valorização desses instrumentos financeiros, sem representar uma saída equivalente de dinheiro do caixa.
O restante do prejuízo, porém, também chama atenção para os custos de operação e desenvolvimento da tecnologia.
Apesar disso, a receita da empresa cresceu rapidamente. No primeiro semestre, o faturamento chegou a US$ 16,3 bilhões, contra US$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2025.
O avanço foi impulsionado pela demanda por ferramentas como o Claude e o Claude Code, utilizado por desenvolvedores para criar e modificar programas.
Prejuízo pode atrapalhar IPO da Anthropic?
A divulgação acontece em um momento importante para a Anthropic, que prepara sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) para novembro.
Nesse processo, a empresa pretende vender ações ao público pela primeira vez e captar recursos para financiar sua expansão.
Entretanto, os custos elevados e a desaceleração do crescimento já começaram a influenciar as expectativas dos investidores.
Segundo a Reuters, alguns participantes de uma reunião realizada com potenciais acionistas passaram a considerar uma avaliação de aproximadamente US$ 1,5 trilhão para a Anthropic, abaixo dos US$ 2 trilhões discutidos anteriormente.
A mudança representaria uma redução de 25% no valor estimado da empresa. Ainda não há confirmação de que essa será a avaliação adotada no IPO.
Apesar dos prejuízos, a Anthropic apresentou resultados positivos em outras métricas. No terceiro trimestre, o faturamento atingiu US$ 16,8 bilhões, alta de 45% em relação ao trimestre anterior, e a companhia informou ter registrado lucro em bases ajustadas.
O crescimento, porém, foi inferior ao avanço de 145% registrado entre o primeiro e o segundo trimestre.
Esse cenário aumenta a importância de demonstrar aos investidores que a expansão das receitas será suficiente para sustentar os gastos com infraestrutura.
E o IPO da OpenAI? Existe risco de bolha?
A situação da Anthropic também pode influenciar a percepção dos investidores sobre a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, que tem previsão de entrar na Bolsa em 2027.
As duas empresas dependem de investimentos elevados em data centers, chips e energia para desenvolver modelos mais avançados e atender à demanda por seus serviços.
Segundo o Financial Times, a OpenAI projeta um fluxo de caixa livre negativo acumulado de quase US$ 280 bilhões entre 2026 e 2030, enquanto amplia os investimentos em infraestrutura.
Em setembro, a Reuters também informou que a companhia discutia uma possível rodada de financiamento capaz de elevar sua avaliação para aproximadamente US$ 1,2 trilhão. As conversas ainda estavam em estágio inicial.
O IPO da Anthropic pode funcionar como um primeiro teste do interesse dos investidores por empresas especializadas em inteligência artificial que crescem rapidamente, mas precisam de grandes volumes de capital.
Caso a estreia aconteça com uma avaliação abaixo do esperado, outras companhias do setor poderão enfrentar maior pressão para justificar seus próprios valores de mercado.
Os números também alimentam o debate sobre uma possível bolha de IA, diante da distância entre os investimentos necessários e a geração de lucros sustentáveis.
Entretanto, o prejuízo contábil da Anthropic, isoladamente, não comprova a existência de uma bolha. O crescimento expressivo das receitas e a lucratividade ajustada registrada no terceiro trimestre mostram que a empresa também apresenta avanços comerciais.
A principal questão para os investidores será avaliar se esses resultados conseguirão acompanhar os compromissos financeiros assumidos para os próximos anos.
Duas falhas graves no PHP levaram governos e empresas a tirar sites do ar nesta quarta-feira (21). O alcance do problema é explicado pela popularidade da linguagem de programação, criada há mais de 30 anos e utilizada por 69,3% dos sites cuja linguagem de servidor é conhecida, segundo levantamento da W3Techs.
Em entrevista ao Canaltech, Rafael Silva, coordenador acadêmico da FIAP, explica que essa popularidade está relacionada ao baixo custo de desenvolvimento, à facilidade de encontrar serviços de hospedagem e ao crescimento de plataformas como o WordPress.
O PHP funciona nos servidores e é responsável por processar informações antes que elas apareçam no navegador. Em uma loja virtual, por exemplo, a linguagem pode ser utilizada para consultar produtos, atualizar o carrinho de compras e interagir com o banco de dados.
Apesar da idade, o PHP continua recebendo atualizações e sendo utilizado em novos projetos. Sua presença em tantos sistemas, porém, amplia o alcance potencial de vulnerabilidades como as descobertas nesta semana.
Por que tantos sites continuam utilizando PHP?
Criado por Rasmus Lerdorf em 1994 e disponibilizado publicamente em 1995, o PHP cresceu junto com a expansão da internet, quando empresas buscavam maneiras simples e baratas de desenvolver seus primeiros sites.
Segundo Silva, essa facilidade de adoção foi um dos principais fatores para a popularização da linguagem.
O professor também destaca o papel do WordPress, sistema de gerenciamento de conteúdo que utiliza PHP e está presente em aproximadamente 39,6% dos sites da internet, segundo a W3Techs.
Com essa expansão, surgiu um mercado de empresas de hospedagem, desenvolvedores e ferramentas especializadas, facilitando a criação e a manutenção de aplicações.
“Quando uma tecnologia funciona bem, tem um custo acessível e atende às necessidades do negócio, não existe necessariamente um motivo para substituí-la”, afirma Silva.
Essa estrutura também explica por que empresas ainda escolhem PHP para desenvolver sites, portais de notícias e lojas virtuais.
De acordo com o professor, a linguagem possui serviços de hospedagem acessíveis e uma grande quantidade de profissionais disponíveis. Isso pode reduzir os custos de desenvolvimento e manutenção, especialmente para negócios que já utilizam a tecnologia.
Entretanto, a escolha depende das necessidades de cada projeto. Linguagens como Python e JavaScript também podem ser utilizadas no desenvolvimento de aplicações web, com características e vantagens diferentes.
PHP é uma tecnologia ultrapassada?
Apesar de ter mais de três décadas de história, o PHP passou por diferentes atualizações que melhoraram seu desempenho, segurança e recursos disponíveis aos desenvolvedores.
Para Silva, os problemas aparecem principalmente quando empresas continuam utilizando aplicações antigas sem acompanhar a evolução da linguagem.
“Uma tecnologia com 30 anos de história pode continuar sendo bastante eficiente. O que não podemos é utilizar práticas de 20 anos atrás para proteger aplicações que estão expostas às ameaças de hoje”, afirma.
O professor explica que sistemas desenvolvidos há 10 ou 15 anos podem acumular dependências e integrações que tornam sua manutenção mais complexa.
Isso não significa que uma linguagem antiga seja necessariamente menos segura. Tecnologias mais recentes também podem apresentar vulnerabilidades críticas, enquanto sistemas antigos podem continuar funcionando com segurança quando recebem a manutenção adequada.
O caso desta semana, entretanto, mostrou que até linguagens amplamente utilizadas e analisadas por especialistas podem esconder problemas graves durante anos.
Segundo Silva, a inteligência artificial também está mudando esse cenário ao acelerar a análise de códigos e a identificação de vulnerabilidades.
Por que é tão difícil atualizar milhões de sites?
Um dos principais desafios está na quantidade de sistemas que dependem do PHP e precisam continuar funcionando após uma atualização.
Silva utiliza como exemplo uma loja virtual criada há dez anos, que pode reunir dezenas de plugins, sistemas de pagamento, ferramentas de estoque e funcionalidades desenvolvidas especificamente para determinada versão da linguagem.
Uma atualização pode provocar incompatibilidades em alguns desses componentes e, dependendo do problema, interromper as vendas.
Por isso, empresas sem equipes ou ambientes preparados para testar mudanças podem adiar a instalação de novas versões.
O professor ressalta, porém, que nem toda atualização exige uma migração completa. Muitas correções de segurança podem ser aplicadas com impacto menor sobre as aplicações.
Outro desafio é identificar todos os sistemas que utilizam PHP dentro de uma organização.
“O desafio imediato não é apenas instalar uma correção, mas identificar e gerenciar todas as instâncias em que o PHP está em execução”, afirma Don Smith, vice-presidente de Inteligência de Ameaças da Sophos CTU.
Segundo o especialista, a linguagem pode estar presente em plataformas de hospedagem, sistemas de gerenciamento de conteúdo e produtos de terceiros, sem que isso seja evidente para os responsáveis pela infraestrutura.
As duas vulnerabilidades divulgadas nesta semana receberam nota 9,2 de 10 em gravidade e podem permitir a execução de comandos maliciosos em servidores.
Os desenvolvedores do PHP já disponibilizaram quatro versões corrigidas: 8.2.35, 8.3.36, 8.4.27 e 8.5.12.
A recomendação para os administradores é identificar as instalações vulneráveis e aplicar as atualizações imediatamente. Quando isso não for possível, a Sophos orienta isolar os sistemas afetados da internet até que possam ser protegidos.
Ferramentas de inteligência artificial (IA) ajudaram pesquisadores a descobrir como explorar falhas de segurançapresentes no PHP há mais de uma década. As vulnerabilidades, que podem permitir invasões de servidores, provocaram um alerta mundial nesta quarta-feira (21) e levaram governos e empresas a retirar sites do ar preventivamente.
As descobertas envolveram pesquisadores das empresas de segurança Wiz e Calif, que utilizaram modelos do Google e da OpenAI para identificar os problemas e demonstrar possíveis ataques.
Segundo a Wiz, as ferramentas de IA ajudaram a executar em aproximadamente uma semana uma investigação que poderia exigir meses de trabalho de especialistas.
O PHP é uma das linguagens de programação mais utilizadas na internet e está presente em plataformas como WordPress, Drupal e Joomla. Segundo a W3Techs, 69,3% dos sites cuja linguagem de servidor é conhecida utilizam essa tecnologia.
As falhas já foram corrigidas pelos desenvolvedores do PHP, mas os administradores precisam instalar as atualizações para proteger seus servidores.
Como a IA encontrou as falhas no PHP?
A investigação envolveu três ferramentas principais: o Wiz Atlas, plataforma de pesquisa de segurança com IA, o Gemini 4 Argon, do Google, e o GPT-5.6 Sol, da OpenAI.
Os pesquisadores utilizaram esses sistemas para analisar o funcionamento interno do PHP e investigar problemas relacionados ao gerenciamento de memória.
Em determinadas situações, o programa poderia continuar utilizando informações de memória que já deveriam ter sido descartadas. Criminosos poderiam explorar esse comportamento para executar comandos maliciosos em servidores, dependendo das condições do sistema.
Segundo a Wiz, a dificuldade estava em combinar diferentes problemas e adaptar os ataques às configurações de cada servidor.
Com o auxílio da IA, os pesquisadores conseguiram acelerar testes, analisar resultados e modificar suas técnicas até demonstrar ataques contra instalações de WordPress, Drupal e Joomla.
A empresa afirma que o Gemini 4 Argon teve participação importante na identificação das vulnerabilidades, no desenvolvimento dos testes e na validação das correções.
A descoberta também envolveu a Calif, que utilizou o GPT-5.6 Sol para identificar independentemente um dos problemas, dentro de uma iniciativa coordenada pela OpenAI.
Na ocasião, uma auditoria de segurança realizada pela Quarkslab levou um desenvolvedor do PHP a encontrar indícios de falhas no gerenciamento de memória.
Entretanto, a equipe ainda não havia encontrado uma maneira concreta de explorar o problema para invadir servidores.
Segundo a PHP Foundation, diferentes soluções foram discutidas, mas apresentavam riscos de incompatibilidade, perda de desempenho ou problemas para outras ferramentas desenvolvidas com PHP.
As dificuldades, somadas à quantidade limitada de profissionais disponíveis, atrasaram a correção. A própria fundação reconheceu que houve uma falha na organização do processo.
A situação mudou em agosto de 2026.
No dia 11, pesquisadores da Calif e da OpenAI demonstraram formas de explorar o problema. Já em 19 de agosto, a Wiz identificou vulnerabilidades com auxílio de IA e, nos dias seguintes, comprovou ataques contra WordPress e Drupal.
A empresa comunicou suas descobertas à equipe do PHP em 24 de agosto.
Mesmo com a gravidade confirmada, os detalhes foram mantidos em sigilo para permitir que os desenvolvedores preparassem as correções antes que criminosos pudessem utilizar as informações.
A divulgação estava prevista inicialmente para 22 de outubro, mas foi antecipada após informações sobre as vulnerabilidades começarem a circular nas redes sociais no dia 20.
Foi a Wiz que corrigiu o problema? As falhas já foram resolvidas?
A correção foi desenvolvida e publicada pelos responsáveis pelo PHP, com apoio de pesquisadores e empresas de tecnologia.
Além da Wiz, organizações como OpenAI, Calif, Cloudflare e Google participaram das investigações, dos testes ou da preparação de medidas de proteção.
Nesta quarta-feira (21), foram disponibilizadas quatro versões corrigidas da linguagem:
PHP 8.5.12;
PHP 8.4.27;
PHP 8.3.36;
PHP 8.2.35.
As atualizações resolvem as duas vulnerabilidades identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, que receberam nota 9,2 de 10 em gravidade.
Entretanto, os sites que continuam utilizando versões vulneráveis ainda podem sofrer ataques.
O alerta também se aplica a plataformas como WordPress: atualizar apenas o sistema de gerenciamento de conteúdo ou seus plugins não corrige uma vulnerabilidade presente no próprio PHP.
A equipe responsável pela linguagem recomenda que administradores atualizem seus servidores imediatamente.
A descoberta também preocupa especialistas por outro motivo. As mesmas ferramentas de IA que ajudaram os pesquisadores a identificar as vulnerabilidades podem ser utilizadas por criminosos para acelerar o desenvolvimento de ataques contra servidores que ainda não receberam as correções.
O Spotify lançou nesta quarta-feira (21) um novo aplicativo para carros que permite ouvir músicas sem precisar conectar o celular. A novidade também oferece letras em tempo real, videoclipes, podcasts em vídeo e comandos de voz diretamente pelo sistema multimídia do veículo.
O aplicativo foi desenvolvido para o Android Automotive, sistema operacional do Google instalado diretamente em determinados automóveis. Inicialmente, a novidade está disponível em modelos selecionados da Audi, com previsão de expansão para outras fabricantes ao longo de 2027.
Segundo o Spotify, o aplicativo funciona de forma independente do smartphone após a configuração inicial. Assim, o motorista não precisa conectar o aparelho por Bluetooth ou cabo USB para reproduzir músicas.
A empresa também estabeleceu restrições para evitar distrações: vídeos e letras só podem aparecer na tela principal quando o carro está parado.
Como funciona o novo Spotify para carros?
A principal diferença está na integração com o sistema multimídia.
Ao contrário do Android Auto, que utiliza o celular para executar aplicativos e projetá-los na tela do veículo, o Android Automotive funciona diretamente no computador de bordo.
O Spotify pode ser aberto pelo próprio carro e retomar a reprodução automaticamente quando o veículo é ligado, desde que o usuário já tenha conectado sua conta.
A nova versão também oferece uma interface própria, com acesso a playlists, recomendações e biblioteca musical.
Entre os recursos disponíveis estão:
Letras em tempo real: permitem acompanhar as músicas pela tela do veículo;
Videoclipes e podcasts em vídeo: podem ser reproduzidos na tela principal com o carro estacionado;
Spotify Jam: passageiros podem adicionar músicas a uma fila compartilhada por meio de um QR Code;
Comandos de voz: nos modelos compatíveis, é possível controlar a reprodução pelo assistente da Audi e utilizar o Spotify DJ, quando disponível.
Nos carros equipados com uma segunda tela para o passageiro dianteiro, os vídeos e as letras podem aparecer nesse visor durante o trajeto.
Já na tela central, os recursos visuais são bloqueados automaticamente quando o veículo começa a se movimentar.
Quais carros recebem o novo Spotify?
A Audi é a primeira fabricante a disponibilizar a nova versão, que chega a modelos a partir da linha 2026. São eles:
Audi A5;
Audi Q5;
Audi A6;
Audi A6 e-tron;
Audi Q6 e-tron.
Os futuros SUVs Q7 e Q9 também receberão o aplicativo quando chegarem ao mercado.
Segundo a fabricante, o lançamento contempla 47 mercados, distribuídos pelas Américas, Europa, Ásia, África e Austrália. Entretanto, a lista completa de países ainda não foi detalhada, portanto não há confirmação específica da disponibilidade no Brasil.
O download é gratuito e pode ser feito por usuários do Spotify Free e Premium. Algumas funções e conteúdos podem variar conforme o plano e a região.
Como instalar e usar o Spotify no carro?
Nos veículos compatíveis, o aplicativo pode ser baixado diretamente pela Audi Application Store, disponível no sistema multimídia.
Para configurar:
Abra a Audi Application Store no carro;
Instale ou atualize o Spotify;
Abra o aplicativo e selecione a opção de login;
Escaneie o QR Code exibido na tela com o celular ou acesse spotify.com/pair em outro dispositivo;
Entre na sua conta e conclua a vinculação.
Depois disso, não será mais necessário conectar o celular ao veículo para ouvir músicas. O carro, porém, precisa de acesso à internet, e alguns modelos podem exigir um pacote Audi connect.
O Spotify informou que pretende levar a nova experiência a outras montadoras durante o próximo ano. Por enquanto, os aplicativos tradicionais para Android Auto e Apple CarPlay continuam funcionando normalmente.
As falhas graves de segurança no PHP, que provocaram um alerta mundial nesta quarta-feira (21), também levaram órgãos públicos brasileiros a suspender serviços digitais. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou ao Canaltech que retirou temporariamente do ar seu Sistema Eletrônico de Informações (SEI) por causa das vulnerabilidades.
A medida também atingiu outros tribunais brasileiros. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu o acesso externo ao SEI, enquanto a Justiça Federal da 4ª Região interrompeu o acesso a sistemas digitais.
Em Minas Gerais, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) também suspendeu o expediente e os prazos processuais diante de problemas em seus sistemas, segundo o portal O Fator.
As interrupções ocorrem após a descoberta de duas vulnerabilidades críticas no PHP, linguagem de programação utilizada por grande parte dos sites da internet. Os problemas podem permitir que criminosos executem comandos maliciosos em servidores sem precisar de autenticação.
Por que a Anatel tirou o SEI do ar?
Em resposta ao Canaltech, a Anatel confirmou que a suspensão está diretamente relacionada às vulnerabilidades descobertas no PHP.
"O caso não se trata de uma falha ou vulnerabilidade inerente ao SEI. A indisponibilidade temporária do serviço está relacionada a uma vulnerabilidade recente identificada no próprio PHP", explicou a agência.
A Anatel acrescentou que outros sistemas executados em ambientes PHP também podem ser afetados, incluindo plataformas como Moodle e Joomla.
O SEI é utilizado por empresas, advogados e cidadãos para acompanhar processos administrativos, enviar documentos, apresentar petições e realizar assinaturas eletrônicas junto à agência reguladora.
Com a suspensão do acesso externo, essas atividades podem ficar temporariamente indisponíveis.
A medida não significa que as redes de telefonia e internet do Brasil tenham sido afetadas, já que o SEI é uma ferramenta administrativa da Anatel.
A agência também anunciou a suspensão de outros serviços digitais, mas não detalhou quais foram afetados nem informou uma previsão de restabelecimento.
Quais outros serviços foram suspensos no Brasil?
Além da Anatel, órgãos da Justiça Federal anunciaram interrupções preventivas nesta quarta-feira.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou que suspendeu temporariamente o acesso externo ao SEI em razão das vulnerabilidades do PHP.
Segundo o tribunal, a medida segue uma recomendação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e busca proteger os sistemas e as informações institucionais.
Não há previsão para o restabelecimento do serviço.
Já a Justiça Federal da 4ª Região, que atende Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, anunciou a interrupção temporária do acesso externo aos seus sistemas a partir das 11h desta quarta-feira. As ferramentas continuariam funcionando normalmente nas dependências do órgão.
Em Minas Gerais, o TRF6 foi além e suspendeu o expediente e os prazos processuais em toda a Justiça Federal do estado, segundo reportagem do portal O Fator.
Entre os sistemas com problemas estão:
eproc: utilizado para tramitação de processos judiciais;
SEI: responsável pela gestão de processos e documentos administrativos;
Moodle: plataforma utilizada para cursos e atividades de ensino;
Portal e intranet: páginas e ferramentas de acesso do tribunal.
Segundo a publicação, a decisão foi tomada diante da necessidade de medidas emergenciais de segurança relacionadas às vulnerabilidades do PHP.
Até o momento, não há confirmação de invasões aos sistemas desses órgãos. As suspensões anunciadas têm caráter preventivo.
Governo federal recomenda atualização urgente do PHP
O Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, também publicou um alerta oficial nesta quarta-feira (21).
O órgão recomenda que instituições identifiquem sistemas que utilizam PHP e instalem imediatamente as versões corrigidas da linguagem.
Caso não seja possível aplicar as atualizações, a orientação é avaliar a suspensão temporária do acesso externo às aplicações vulneráveis.
As falhas, identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, receberam nota 9,2 de 10 em gravidade.
Os desenvolvedores do PHP já disponibilizaram quatro versões corrigidas: 8.2.35, 8.3.36, 8.4.27 e 8.5.12.
Entretanto, os administradores precisam instalar as atualizações para proteger seus servidores. Até que isso aconteça, aplicações vulneráveis podem continuar expostas a ataques.
As mesmas falhas já levaram governos e empresas de países como Alemanha, Países Baixos, Bélgica, França e Finlândia a retirar serviços digitais do ar por precaução.
Fones de ouvido baratos podem apresentar problemas como graves exagerados, vozes abafadas e agudos estridentes. Antes de investir em outro modelo, porém, vale testar uma ferramenta gratuita disponível no YouTube Music: o equalizador de áudio.
O recurso permite ajustar diferentes frequências sonoras para compensar algumas limitações dos fones. Assim, é possível destacar os vocais, reduzir graves excessivos ou suavizar sons agudos que incomodam durante a reprodução.
A ferramenta funciona por meio de um atalho para o equalizador do Android, e as opções disponíveis dependem do fabricante do celular. Não é necessário assinar o YouTube Music Premium para utilizá-la.
Como melhorar o som dos fones pelo YouTube Music?
Para encontrar o equalizador no aplicativo para Android, siga estes passos:
Abra o YouTube Music;
Toque na foto do seu perfil;
Acesse Configurações;
Entre em Reprodução ou Reprodução e restrições, dependendo da versão;
Toque em Equalizador;
Ative a ferramenta, caso necessário, e ajuste o som.
O menu pode apresentar configurações prontas para gêneros como rock, pop e jazz, além de controles para personalizar as frequências.
Para quem está começando, vale fazer pequenos ajustes enquanto uma música toca. Algumas sugestões são:
Som abafado: diminua um pouco os graves e aumente moderadamente os médios e agudos para destacar vozes e instrumentos;
Agudos estridentes: reduza as frequências mais altas para suavizar o som;
Falta de graves: aumente discretamente as frequências baixas, evitando distorções.
O resultado depende das características de cada fone. Também é importante ressaltar que o equalizador não corrige defeitos físicos, como falhas de conexão, ruídos eletrônicos ou alto-falantes danificados.
Por enquanto, o YouTube Music não oferece um equalizador equivalente dentro do aplicativo para iPhone ou na versão web.
O Duolingo apresenta instabilidade nesta quarta-feira (21), com problemas para carregar páginas, registrar pontos de experiência (XP) e atualizar a ofensiva dos usuários. As falhas atingem pessoas no Brasil e em outros países, e já foram reconhecidas oficialmente pela plataforma de ensino de idiomas.
Na página oficial de status, o Duolingo classificou o incidente como grave e informou, às 11h57 (horário de Brasília), que estava investigando um aumento de erros no serviço. A empresa ainda não explicou o que provocou a instabilidade.
Segundo o Downdetector, que reúne notificações de problemas em serviços digitais, o aplicativo chegou a registrar um pico de 78 reclamações no Brasil e mais de 400 nos Estados Unidos. Os números já apresentavam queda no momento da consulta realizada pelo Canaltech.
Quais problemas estão acontecendo no Duolingo?
Em um teste realizado pelo Canaltech, foi possível concluir uma lição normalmente. O aplicativo também confirmou a continuidade da ofensiva, mas a contagem exibida no widget do celular não foi atualizada.
Outros problemas identificados incluem:
Perfis de usuários que não carregam;
Indisponibilidade das páginas de Ligas e Central de Prática;
Ausência de anúncios após a conclusão das lições;
Falhas na atualização de informações do aplicativo.
Nas redes sociais, principalmente no X (antigo Twitter), usuários relatam dificuldades para receber XP e demonstram preocupação com a possibilidade de perder suas ofensivas, que representam os dias consecutivos de estudo.
Também há reclamações de pessoas que não conseguem entrar nas próprias contas ou iniciar lições. Os relatos aparecem principalmente em inglês, mas usuários brasileiros também identificaram problemas.
Ainda não está claro se os pontos e as lições realizados durante o período de instabilidade serão registrados posteriormente.
O Duolingo possui um mecanismo para proteger as ofensivas em caso de problemas técnicos, mas não informou se ele será utilizado neste incidente.
O Canaltech entrou em contato com a assessoria do Duolingo para entender as causas da instabilidade e se existe alguma relação com problemas de segurança divulgados nesta quarta-feira. A empresa enviou a seguinte nota:
“Estamos cientes de um problema que está afetando os logins e alguns serviços do Duolingo. Nossas equipes estão trabalhando para restabelecer o acesso o mais rápido possível.”
O PHP é uma das linguagens de programação mais utilizadas na internet e está presente em plataformas como WordPress, Drupal e Joomla.
As vulnerabilidades identificadas nesta quarta-feira podem permitir que criminosos invadam servidores e executem comandos maliciosos. O problema levou diferentes serviços governamentais europeus a sair do ar preventivamente.
Apesar da coincidência, não há evidências de que as falhas do PHP estejam relacionadas aos problemas do Duolingo.
Em publicações técnicas anteriores, a empresa informou utilizar linguagens como Python, Scala e Kotlin no desenvolvimento de seus sistemas. Isso, porém, não permite descartar a utilização de PHP em algum componente da infraestrutura.
Até o momento, a plataforma não revelou o motivo da instabilidade.
Duolingo já ficou fora do ar antes?
Esta não é a primeira vez que o Duolingo enfrenta problemas de funcionamento.
Em 20 de outubro de 2025, o aplicativo foi afetado por uma grande interrupção nos serviços de computação em nuvem da Amazon Web Services (AWS), que também prejudicou plataformas como Snapchat, Fortnite e Zoom.
Na ocasião, usuários relataram dificuldades para acessar lições e manter suas ofensivas. A empresa informou que trabalhava para preservar as sequências de estudo afetadas pela queda.
Mais recentemente, em julho de 2026, o Duolingo registrou episódios de aumento de erros, reconhecidos em sua página oficial de status. Os incidentes foram resolvidos após períodos de aproximadamente 20 a 53 minutos.
O Google Chrome ganhou um recurso de segurança que permite analisar comandos copiados pelo usuário e enviar seu conteúdo aos servidores da empresa. A novidade busca identificar golpes que utilizam a área de transferência do computador para instalar vírus e outros programas maliciosos.
Segundo um anúncio do Google desta terça-feira (20), a ferramenta já está disponível para usuários que ativaram a Proteção Reforçada do navegador. A empresa também anunciou novos alertas para sites suspeitos e melhorias na identificação de golpes com inteligência artificial (IA).
A análise da área de transferência acontece em situações específicas, quando o Chrome identifica que o usuário pode ter sido induzido a copiar um comando perigoso. Ou seja, o recurso não lê tudo que é copiado.
Por que o Chrome vai analisar o que você copia?
A medida busca combater um golpe conhecido como ClickFix, no qual criminosos induzem as vítimas a executar comandos maliciosos no próprio computador.
Nesse tipo de ataque, uma página pode exibir uma mensagem falsa informando que o navegador precisa de uma atualização ou que o usuário deve corrigir um suposto problema de segurança.
Para resolver a situação, a vítima é orientada a copiar um comando e executá-lo no terminal do sistema operacional, como o PowerShell ou Prompt de Comando, do Windows.
O conteúdo copiado pode ser diferente daquele apresentado na página. Ao executar as instruções, o usuário corre o risco de instalar programas maliciosos no computador.
Com a nova proteção, o Chrome identifica possíveis comandos suspeitos copiados de páginas e encaminha seu conteúdo ao serviço de Navegação Segura do Google. Caso a análise confirme o perigo, um alerta será exibido antes que o usuário execute as instruções.
A mudança também levanta questões sobre privacidade. Segundo o Google, informações capazes de identificar pessoalmente o usuário são removidas do conteúdo copiado antes do envio aos servidores.
Chrome ganha novas proteções com Gemini
Outra novidade é a ampliação do uso do Gemini para identificar páginas fraudulentas.
Anteriormente, o Chrome utilizava um modelo de IA executado diretamente em dispositivos compatíveis para detectar golpes de falso suporte técnico. Agora, a análise passa a utilizar um modelo mais potente, hospedado nos servidores do Google.
A mudança permite identificar outras ameaças, como falsos antivírus e páginas que simulam atualizações de navegadores.
Segundo a empresa, o conteúdo textual de uma página só é enviado para análise com Gemini quando o navegador identifica indícios considerados fortes de fraude. O Google afirma que esses dados são processados temporariamente, sem armazenamento ou utilização no treinamento de IA.
O Chrome também passa a diferenciar os alertas sobre páginas suspeitas e perigosas.
Sites que apresentam sinais de fraude, mas ainda não foram classificados como comprovadamente maliciosos, terão uma janela de aviso. O usuário poderá retornar à página anterior ou marcar o endereço como seguro.
Já páginas reconhecidas como perigosas continuarão exibindo o tradicional alerta vermelho, que ocupa praticamente toda a tela.
Como ativar a Proteção Reforçada do Chrome
As novidades estão disponíveis no modo de Proteção Reforçada, que oferece verificações adicionais de segurança e compartilha mais informações com os servidores do Google.
Para ativá-lo no computador, basta abrir o Chrome e acessar Configurações > Privacidade e segurança > Segurança > Proteção reforçada.
A opção é diferente da Proteção Padrão, habilitada por padrão no navegador, que continua oferecendo verificações contra sites, downloads e extensões maliciosas.
Ao ativar a proteção adicional, o usuário autoriza o compartilhamento de mais informações de navegação com o Google, incluindo endereços acessados e amostras de conteúdo das páginas, para identificar possíveis ameaças.
Duas falhas graves de segurança no PHP, uma das linguagens de programação mais utilizadas da internet, colocaram milhões de sites em alerta nesta quarta-feira (21). As vulnerabilidades podem permitir que criminosos invadam servidores sem precisar de senhas, roubem informações e comprometam o funcionamento de páginas.
A equipe responsável pelo PHP já disponibilizou correções de emergência e pede que os administradores atualizem seus servidores imediatamente.
As falhas receberam nota 9,2 de 10em gravidade, uma das classificações mais altas para problemas de segurança.
O alerta provocou a retirada preventiva de sites governamentais em países europeus, como Países Baixos, Finlândia e França, segundo a Reuters.
A empresa de segurança Cloudflare também relatou tentativas iniciais de exploração das vulnerabilidades. Entretanto, ainda não há confirmação de ataques em massa que tenham comprometido milhões de sites.
O que é PHP e por que tantos sites estão ameaçados?
O PHP é uma linguagem de programação utilizada principalmente para desenvolver sites e aplicações. Ela funciona nos servidores, processando informações antes que o conteúdo seja apresentado no navegador.
Por exemplo, quando alguém acessa uma loja virtual, o PHP pode ser responsável por consultar produtos, atualizar o carrinho e interagir com o banco de dados.
A tecnologia também está por trás de plataformas populares de criação de sites, como WordPress, Drupal e Joomla.
Segundo dados da W3Techs, 69,3% dos sites cuja linguagem de programação do servidor é conhecida utilizam PHP. O WordPress, por sua vez, está presente em mais de 43% das páginas da internet.
Por isso, uma vulnerabilidade na própria linguagem pode afetar desde pequenos blogs e lojas virtuais até portais de notícias e serviços governamentais.
Quais são os riscos das falhas no PHP?
As duas vulnerabilidades, identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, permitem a chamada execução remota de código.
Isso significa que um criminoso pode conseguir executar comandos maliciosos no servidor de um site sem precisar ter uma conta cadastrada ou acesso autorizado ao sistema.
Segundo Sergey Lozhkin, chefe do Centro de Pesquisa para as regiões APAC e META da Kaspersky GReAT, criminosos podem explorar as vulnerabilidades para instalar "web shells", ferramentas maliciosas que permitem executar comandos e controlar remotamente servidores comprometidos.
“Até que essa correção seja aplicada, qualquer servidor conectado à internet que utilize uma versão afetada do PHP pode estar exposto a ataques não autenticados”, alerta o especialista.
O risco levou diferentes organizações a retirar seus sites do ar preventivamente. Nos Países Baixos, a medida atingiu serviços do governo, o Porto de Roterdã e páginas de hospitais. Na Finlândia, serviços públicos também foram temporariamente interrompidos.
Essas interrupções foram adotadas como precaução e não significam, necessariamente, que os sistemas tenham sido invadidos.
Como proteger um site das falhas no PHP?
A equipe responsável pela linguagem disponibilizou nesta quarta-feira (21) quatro versões que corrigem as vulnerabilidades:
PHP 8.5.12;
PHP 8.4.27;
PHP 8.3.36;
PHP 8.2.35.
Segundo o comunicado oficial, todos os administradores devem atualizar suas instalações o mais rápido possível.
Quem utiliza versões antigas, como PHP 8.1 ou anteriores, precisa verificar a disponibilidade de correções com o fornecedor ou migrar para uma versão com suporte.
Vale destacar que atualizar apenas o WordPress, seus temas ou plugins não resolve o problema, já que as vulnerabilidades estão no próprio PHP.
Para quem administra um site, o primeiro passo é verificar a versão instalada no servidor e procurar a empresa responsável pela hospedagem. Em serviços gerenciados, a atualização pode depender diretamente do provedor.
O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC) recomenda retirar temporariamente sistemas da internet caso não seja possível atualizar ou aplicar medidas de proteção suficientes.
Apesar da liberação dos patches, o risco continuará para os servidores que permanecerem vulneráveis. Os desenvolvedores do PHP alertam que medidas temporárias não oferecem proteção completa contra as duas falhas.
Países tiram sites do ar
As vulnerabilidades provocaram a suspensão preventiva de sites e serviços digitais em pelo menos sete países nesta quarta. Segundo a Reuters, governos e empresas decidiram interromper o acesso a sistemas enquanto preparavam as atualizações de segurança.
Nos Países Baixos, foram afetados portais do governo, sites de hospitais, o Porto de Roterdã e páginas dos cinco maiores partidos políticos do país. Até mesmo o Centro Nacional de Segurança Cibernética holandês retirou seu site do ar por precaução.
Na Finlândia, o governo suspendeu serviços públicos digitais. Já na França, o Ministério do Interior colocou sites de administrações regionais em manutenção preventiva.
A Alemanha também interrompeu o acesso a páginas de órgãos federais e governos estaduais. Na Bélgica, o Ministério das Relações Exteriores suspendeu temporariamente seus sites.
Na Dinamarca, uma empresa pública de tecnologia retirou do ar serviços utilizados por municípios, incluindo uma plataforma nacional de comunicação escolar. No Japão, a provedora Sakura Internet suspendeu uma funcionalidade de seus serviços de banco de dados.
A Fundação Wikimedia, responsável pela Wikipédia, também confirmou a suspensão de alguns sistemas de apoio enquanto aplica as correções.
As interrupções foram adotadas para reduzir o risco de invasões. Até o momento, não há confirmação de que esses serviços tenham sido comprometidos por criminosos.
Falhas no PHP foram descobertas com ajuda de IA
As vulnerabilidades foram identificadas em agosto de 2026 por pesquisadores das empresas Wiz e Calif, com auxílio de ferramentas de inteligência artificial do Google e da OpenAI. Os modelos ajudaram a analisar o código do PHP e demonstrar como criminosos poderiam explorar os problemas para invadir servidores.
Segundo a PHP Foundation, já existiam indícios de uma das falhas desde 2024, mas dificuldades técnicas e de organização atrasaram sua correção. Após as descobertas de agosto, os detalhes foram mantidos em sigilo para permitir que a equipe responsável pelo PHP desenvolvesse as atualizações, lançadas nesta quarta-feira.
A Uber anunciou nesta quarta-feira (21) um novo recurso para facilitar o embarque de idosos e pessoas com deficiência. O "Preferências de Partida" permite que passageiros informem antecipadamente aos motoristas como desejam ser identificados e avisados sobre a chegada do veículo.
A novidade começa a ser disponibilizada gradualmente nos próximos dias para usuários de todo o Brasil, segundo a empresa.
Com a ferramenta, passageiros podem solicitar, por exemplo, que o motorista buzine, pisque os faróis ou chame seu nome ao chegar ao ponto de encontro. Também é possível informar o uso de bengala, muletas, andador ou cadeira de rodas.
As orientações são enviadas automaticamente ao motorista, dispensando a necessidade de explicar essas preferências por mensagens a cada nova corrida.
Como funcionam as Preferências de Partida da Uber?
A ferramenta reúne dois tipos de informações que podem ser configuradas pelo passageiro.
O primeiro permite escolher como o motorista deve sinalizar sua chegada ao local de embarque. São quatro opções disponíveis:
Chamar o passageiro pelo nome;
Entrar em contato pelo aplicativo;
Piscar os faróis do veículo;
Buzinar ao chegar.
Já o segundo grupo ajuda o motorista a reconhecer o usuário no ponto de encontro, indicando se ele utiliza óculos escuros e/ou bengala branca, bengala convencional, muletas, andador ou cadeira de rodas manual.
As imagens divulgadas pela Uber mostram que, durante o atendimento, o motorista consegue visualizar a identificação do passageiro e acessar um botão chamado "Ver preferências".
Ao abrir a opção, o aplicativo apresenta as orientações selecionadas pelo usuário, incluindo as formas de identificação e de sinalização da chegada.
A função é voltada especificamente ao encontro entre motorista e passageiro. O comunicado da empresa não informa mudanças na disponibilidade de veículos adaptados.
Como ativar as Preferências de Partida na Uber?
A configuração pode ser feita diretamente pelo aplicativo, sem a necessidade de entrar em contato com o suporte. Confira o passo a passo:
Abra o aplicativo da Uber;
Toque em Conta;
Acesse Configurações;
Selecione Acessibilidade;
Entre em Preferências de partida;
Escolha como deseja ser avisado da chegada do veículo e, se necessário, informe como o motorista pode identificar você.
Após a configuração, as preferências serão compartilhadas automaticamente com os motoristas nas viagens seguintes.
Segundo a Uber, o lançamento acontecerá gradualmente nos próximos dias em todo o território nacional. Portanto, a ferramenta poderá demorar um pouco para aparecer em algumas contas.
Uber já oferece outros recursos de acessibilidade
A novidade se soma a funcionalidades já disponíveis na plataforma para pessoas com deficiência e idosos.
Uma delas permite informar a existência de deficiência visual ou auditiva, com uma indicação exibida ao motorista junto ao nome do passageiro.
Usuários com cão-guia também podem registrar essa condição. Caso o motorista tente cancelar a viagem, o aplicativo apresenta um alerta sobre as obrigações previstas na Lei Federal nº 11.126/2005, que garante o ingresso e a permanência de pessoas com deficiência visual acompanhadas de cão-guia em veículos de transporte.
Para o público idoso, a Uber oferece ainda a Conta Sênior, que possui uma interface simplificada, com textos e ícones maiores. Familiares também podem solicitar viagens, acompanhar os trajetos e gerenciar pagamentos.
A plataforma também é compatível com os leitores de tela TalkBack, do Android, e VoiceOver, do iPhone. Além disso, pessoas com deficiência podem solicitar isenção ou reembolso de taxas de espera quando precisam de mais tempo para embarcar.
Funcionários do TikTok alertaram repetidamente a direção da empresa sobre riscos de exploração sexual de crianças e adolescentes na plataforma, mas não receberam respostas consideradas suficientes para resolver os problemas. Documentos judiciais divulgados nesta terça-feira (20) também mostram que a rede social tinha conhecimento de falhas em ferramentas de proteção e de possíveis danos à saúde mental de jovens.
As informações foram reveladas pela rádio pública americana NPR. Os documentos incluem depoimentos de ex-funcionários apresentados à Justiça dos Estados Unidos em março de 2026, como parte de processos que acusam o TikTok e outras redes sociais de prejudicar menores de idade.
Um dos principais problemas envolve o TikTok Live, ferramenta de transmissões ao vivo da plataforma. Segundo os depoimentos, crianças e adolescentes apareciam em conteúdos de natureza sexual e recebiam pagamentos de espectadores por meio de presentes virtuais, que podem ser convertidos em dinheiro.
A empresa também ficava com uma parcela dos valores movimentados nessas transações, o que levantou questionamentos sobre um possível benefício financeiro decorrente da exploração de menores.
TikTok sabia que crianças apareciam em lives com conteúdo sexual
Reagen Maher, que ocupou cargos de liderança nas equipes de segurança e investigação do TikTok entre 2021 e 2024, afirmou ter passado meses tentando convencer executivos a tomar medidas contra a exploração sexual de menores.
Em uma conversa interna apresentada à Justiça, a ex-funcionária relatou que parte dos responsáveis pela plataforma não considerava os danos graves o suficiente para justificar novas ações.
"Estou lutando há meses para resolver isso com pessoas que não acham que os danos são graves o suficiente", escreveu Maher, em tradução livre.
Uma investigação interna identificou 112 mil transmissões ao vivo com a presença de crianças e adolescentes de 13 a 15 anos somente em janeiro de 2022.
O número considera lives com a participação de menores e não significa que todas as transmissões apresentavam conteúdo sexual. Ainda assim, o levantamento identificou riscos de aliciamento por adultos e produção de material de abuso sexual infantil.
Os documentos também apontam que o TikTok obteve receitas significativas de presentes virtuais enviados durante transmissões que violavam as regras da plataforma.
Maher afirmou que a direção já conhecia as denúncias antes de uma investigação da Forbes, publicada em 2022, revelar que menores utilizavam o TikTok Live para realizar apresentações sexualizadas em troca de presentes.
A ex-funcionária também disse esperar que a repercussão pública da reportagem pressionasse a empresa a acelerar as soluções.
Falhas permitiam burlar proteção de menores
Os depoimentos revelaram outros problemas nas ferramentas criadas para proteger crianças e adolescentes.
Segundo Maher, menores conseguiam acessar funcionalidades destinadas a adultos ao criar contas usando credenciais do Google, Facebook ou Instagram. A brecha era conhecida pela liderança do TikTok, conforme seu relato.
Outra falha envolvia o Family Pairing, ferramenta lançada em 2020 para permitir que pais e responsáveis supervisionem contas de adolescentes.
Uma conversa interna de 2021 mostrava que existia um link oculto pelo qual os jovens conseguiam desvincular suas contas da supervisão parental. Um gerente da equipe de bem-estar digital chegou a questionar a utilidade da ferramenta diante dessa possibilidade.
O TikTok afirmou à NPR que os responsáveis recebem notificações quando um adolescente desativa o vínculo de supervisão.
Os documentos também indicam que a empresa evitou realizar pesquisas que poderiam revelar a quantidade de crianças com menos de 13 anos na plataforma.
Em uma conversa de 2018, executivos demonstraram preocupação de que os resultados de uma pesquisa sobre a idade dos usuários fossem solicitados pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC).
A preocupação envolvia a COPPA, lei americana que estabelece regras para a coleta de dados pessoais de crianças menores de 13 anos.
Além disso, Eric Han, ex-chefe de segurança do TikTok, relatou preocupações sobre o funcionamento do algoritmo de recomendações desde 2020.
Segundo ele, o sistema poderia levar usuários a consumir repetidamente vídeos sobre assuntos prejudiciais, incluindo automutilação e suicídio. Um relatório interno daquele ano apontava riscos relacionados à forma como esses conteúdos eram apresentados a menores.
Han afirmou que a empresa não alertou os pais sobre esses perigos, apesar de reconhecer internamente a gravidade do problema.
TikTok já enfrentava processos por segurança infantil
As novas revelações fazem parte de uma disputa judicial iniciada em 2022 nos Estados Unidos, que reúne centenas de ações contra TikTok, Meta, Google e Snap por supostos danos causados a crianças e adolescentes.
A exploração de menores por meio das transmissões ao vivo já havia motivado uma ação específica no estado americano de Utah, em junho de 2024.
O processo acusa o TikTok de permitir que adultos utilizassem presentes virtuais para solicitar conteúdos sexuais de menores, enquanto a empresa recebia parte dos pagamentos. Posteriormente, a Justiça rejeitou um pedido da plataforma para encerrar antecipadamente o caso.
Outras acusações também envolvem a eficácia das ferramentas de segurança.
Em setembro de 2026, um juiz do Texas decidiu que o TikTok havia violado uma lei estadual de proteção ao consumidor ao apresentar informações enganosas sobre mecanismos de segurança infantil. O processo envolve, entre outros pontos, a eficácia do Modo Restrito, que deveria limitar o acesso a conteúdos inadequados.
Segundo documentos divulgados na ocasião, a plataforma realizou testes com uma versão inoperante do Algo Refresh, recurso que permite redefinir os vídeos recomendados. Parte dos participantes acreditava ter reiniciado as recomendações, mas continuava recebendo conteúdos selecionados pelo algoritmo anterior.
Os processos americanos também resultaram em acordos financeiros. Em maio deste ano, o TikTok concordou em pagar US$ 8 milhões para encerrar uma ação movida por um distrito escolar do Kentucky. Em setembro, a empresa fechou outro acordo com o estado do Alabama.
No Brasil, a empresa também enfrenta questionamentos sobre a proteção de menores.
Em agosto de 2026, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões à ByteDance por irregularidades no tratamento de informações pessoais de crianças e adolescentes.
A sanção brasileira decorre de um procedimento administrativo diferente dos processos americanos e envolve principalmente o tratamento de dados e as medidas de proteção de usuários menores de idade.
O que diz o TikTok?
Procurado pela NPR, o TikTok inicialmente não apresentou respostas específicas aos questionamentos sobre as denúncias, limitando-se a indicar políticas de segurança publicadas pela empresa.
Após a divulgação da reportagem, porém, o porta-voz Nathaniel Brown contestou a interpretação dos documentos.
Segundo ele, as acusações foram selecionadas de maneira parcial por advogados envolvidos nos processos e apresentam uma versão distorcida do histórico da empresa e de seu compromisso com a segurança dos jovens.
O TikTok também afirmou possuir mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro alinhados a padrões internacionais.
A empresa, no entanto, não esclareceu à NPR se comunicou às autoridades americanas todos os casos identificados de material de abuso sexual infantil nas transmissões ao vivo. Também não respondeu se bloqueou as contas responsáveis pelos pagamentos ou qual foi o destino das receitas associadas aos conteúdos irregulares.
Os novos depoimentos ainda não foram apresentados a um júri nos processos em questão. Portanto, as acusações sobre a responsabilidade da empresa e de seus dirigentes continuam sujeitas à análise judicial.
Criminosos estão usando páginas hospedadas no próprio domínio do ChatGPT para levar usuários do Windows a instalar um malware capaz de assumir o controle do computador. A campanha foi identificada pela empresa de segurança Huntress e explora os GPTs personalizados, versões do chatbot que podem ser criadas por terceiros e publicadas dentro do “chatgpt.com”.
Um dos GPTs maliciosos recebeu o nome de “Plus 5.6”, em uma tentativa de fazê-lo parecer um produto oficial da OpenAI. A fraude fica mais convincente porque algumas vítimas chegaram à página por anúncios patrocinados exibidos em pesquisas no Google por “ChatGPT”, segundo os pesquisadores.
A Huntress investigou pelo menos 40 incidentes ligados à infraestrutura usada pelos criminosos. Em dois deles, a empresa conseguiu confirmar que a infecção começou diretamente pelo GPT malicioso hospedado no ChatGPT.
Como funciona o golpe?
O ataque começa quando a vítima acessa o “Plus 5.6”. Como os GPTs personalizados ficam hospedados no site oficial do ChatGPT, o endereço exibido no navegador começa com chatgpt.com, o que pode reduzir a desconfiança do usuário.
Há, porém, uma pista de que não se trata de um modelo oficial: a página identifica o responsável pelo GPT como um criador da comunidade.
Ao enviar qualquer mensagem ao chatbot, a vítima recebe um aviso falso de que o serviço está com disponibilidade limitada. A página oferece então a opção de continuar por um suposto “domínio de backup”.
O link leva para uma página hospedada no Google Sites e preparada para imitar uma verificação da Cloudflare. Nesse momento entra em ação uma técnica conhecida como ClickFix, na qual a vítima é instruída a copiar e executar um comando no próprio computador sob o pretexto de resolver um erro ou comprovar que é humana.
Nesse caso, o comando executado no PowerShell do Windows inicia uma sequência de downloads e instala silenciosamente um arquivo MSI malicioso. Os criminosos também usam programas legítimos e assinados digitalmente para carregar componentes modificados e dificultar a identificação do ataque por ferramentas de segurança.
Ao final do processo, o computador recebe um trojan de acesso remoto, conhecido pela sigla RAT. Segundo a análise da Huntress, o malware permite visualizar a tela, procurar arquivos, acessar câmera e microfone, capturar áudio do sistema e executar novos programas no dispositivo infectado.
A OpenAI retirou do ar um dos GPTs denunciados pela Huntress em 25 de setembro. Dois dias depois, porém, os pesquisadores encontraram outra versão do “Plus 5.6” ligada à mesma campanha.
A empresa de segurança também identificou mudanças posteriores na cadeia de infecção, indicando que os responsáveis continuaram modificando a operação.
Há casos confirmados no Brasil?
Até o momento, não há confirmação pública de brasileiros infectados especificamente por essa campanha.
A Huntress afirma ter atendido pelo menos 40 incidentes associados ao endereço usado na falsa verificação, mas não publicou a localização das vítimas. Além disso, apenas dois desses casos tiveram o GPT personalizado do ChatGPT confirmado como ponto inicial da infecção.
Nas fontes consultadas pelo Canaltech, também não foram encontrados alertas de órgãos brasileiros de segurança digital ou de empresas de cibersegurança que confirmem vítimas do “Plus 5.6” no país.
Isso não impede que usuários brasileiros encontrem golpes semelhantes. A campanha depende principalmente de engenharia social e de anúncios em mecanismos de busca, e não de uma vulnerabilidade restrita a um país.
A principal recomendação é desconfiar de páginas que peçam para abrir o PowerShell, o Prompt de Comando ou a janela Executar do Windows e colar instruções durante verificações de segurança. CAPTCHAs e serviços legítimos normalmente não exigem que o usuário execute comandos no sistema operacional.
A poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4), vídeos e áudios de candidatos circulam com velocidade pelas redes sociais e aplicativos de mensagens. Com ferramentas de inteligência artificial capazes de reproduzir rostos e vozes, procurar apenas erros na imagem já não é suficiente para saber se uma gravação é verdadeira.
Movimentos estranhos da boca, deformações no rosto, sombras incoerentes ou problemas em mãos e acessórios ainda podem levantar suspeitas.
Esses sinais, porém, devem ser tratados como alertas e não como provas de manipulação, explica Paulo Baldin, especialista em cibersegurança, proteção de dados e governança digital da CLA Brasil.
Isso significa que um conteúdo falso pode passar sem apresentar defeitos evidentes. Ao mesmo tempo, compressão de vídeo, conexão ruim e problemas de sincronização podem fazer uma gravação verdadeira parecer manipulada.
A recomendação é olhar além da imagem: descobrir de onde o conteúdo veio, procurar a publicação original e verificar se aquela declaração aparece em outras fontes.
Mãos e boca podem dar pistas, mas não provam um deepfake
Durante os primeiros anos de popularização das imagens geradas por IA, características como mãos deformadas e movimentos pouco naturais eram indícios bastante conhecidos. Esses problemas continuam sendo úteis para despertar atenção.
Baldin recomenda observar, por exemplo, se a boca acompanha corretamente a fala, se os contornos do rosto mudam durante o vídeo e se sombras e reflexos combinam com a iluminação. Dentes, óculos, acessórios e a textura da pele também podem apresentar inconsistências.
O problema é transformar essas pistas em um “teste de deepfake”.
“Um conteúdo falso pode parecer perfeito, enquanto um vídeo verdadeiro pode apresentar falhas de sincronização ou perda de qualidade”, afirma o especialista. Por isso, a ausência de defeitos visuais não confirma a autenticidade de uma gravação.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu em setembro critérios para caracterizar deepfakes no contexto eleitoral. Segundo a Corte, eles envolvem conteúdos sintéticos produzidos ou manipulados com IA ou tecnologia equivalente, com grau de realismo ou verossimilhança, capazes de criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de uma pessoa.
Reconhecer a voz também não confirma o áudio
A dificuldade aumenta quando o conteúdo é apenas um áudio. Sistemas de clonagem de voz conseguem usar gravações anteriores, como entrevistas, discursos e vídeos publicados na internet, para reproduzir características da fala de uma pessoa e gerar frases novas.
Um estudo publicado em 2025 na revista Scientific Reports, ajuda a dimensionar o problema. Participantes identificaram corretamente vozes geradas por IA em cerca de 60% das tentativas. Quando ouviram lado a lado uma voz verdadeira e seu clone, consideraram que ambas pertenciam à mesma pessoa em aproximadamente 80% dos casos.
Um caso recente ocorreu na própria campanha presidencial de 2026. Em setembro, o Projeto Comprova verificou um áudio falso atribuído ao candidato Renan Santos (Missão). Uma análise com a ferramenta Hive Moderation apontou 99,2% de probabilidade de a fala ter sido gerada artificialmente.
A publicação também usava elementos da identidade visual do The Intercept Brasil para parecer uma reportagem verdadeira. O veículo confirmou ao Comprova que não havia produzido nem publicado aquele material.
O episódio mostra por que a checagem não deve depender apenas da capacidade de perceber uma voz artificial: elementos reais, como logotipos, fotos e identidades visuais conhecidas, também podem ser usados para aumentar a aparência de autenticidade.
Como checar um vídeo ou áudio de candidato
Antes de compartilhar uma gravação suspeita, o primeiro passo é descobrir sua origem. Um vídeo recebido no WhatsApp ou recortado em uma rede social pode perder informações importantes sobre quem publicou o material e em qual contexto.
A partir daí, vale seguir algumas verificações:
Procure a publicação original: busque o nome do candidato e palavras da declaração para localizar a gravação completa;
Confira a data: vídeos antigos podem voltar a circular como se fossem atuais;
Assista ao conteúdo completo: cortes podem retirar uma fala verdadeira do contexto;
Procure confirmação independente: confira veículos jornalísticos, agências de checagem e canais oficiais;
Verifique quem publicou: no caso de perfis de candidatos, confira o endereço exato da conta e os links divulgados, em vez de confiar apenas no nome, foto ou selo de verificação.
Segundo Baldin, até uma conta com poucos seguidores ou criada recentemente não pode ser considerada falsa apenas por essas características. O ideal é verificar o conjunto de informações e confirmar se há ligação com os canais oficiais da candidatura.
Os endereços eletrônicos utilizados pelas campanhas devem ser informados à Justiça Eleitoral no registro de candidatura ou, quando criados posteriormente, comunicados em até 24 horas. O TSE também mantém o sistema DivulgaCandContas, que reúne dados oficiais das candidaturas.
Deepfakes têm regras específicas nas eleições
O uso de IA na propaganda eleitoral também é regulamentado pelo TSE. Conteúdos sintéticos utilizados em propaganda devem informar de forma explícita que houve fabricação ou manipulação e indicar a tecnologia empregada.
A Justiça Eleitoral proíbe ainda o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas. Além disso, nas 72 horas que antecedem o pleito e até 24 horas após o término da votação, ficam vedadas a publicação, republicação e o impulsionamento de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas.
Por isso, Baldin recomenda que um conteúdo cuja origem não possa ser confirmada seja tratado como informação não verificada, mesmo quando a imagem ou a voz pareçam convincentes.