O que está acontecendo? Gigantes da tecnologia desabam na Bolsa e perdem valor
As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos sofreram fortes quedas na Bolsa nesta quinta-feira (22), após investidores demonstrarem preocupação com os gastos bilionários em inteligência artificial (IA). O índice Nasdaq, que concentra companhias do setor, caiu 2,60% e registrou seu pior desempenho diário desde junho.
Entre as empresas afetadas estão Nvidia, Meta, AMD e Intel, que perderam bilhões de dólares em valor de mercado ao longo do pregão.
A Nvidia, fabricante de chips utilizados no desenvolvimento de sistemas de IA, teve uma desvalorização de 4,40% nas ações. Com isso, seu valor de mercado passou de aproximadamente US$ 5,36 trilhões para US$ 5,13 trilhões, uma redução de cerca de US$ 229 bilhões em um único dia, segundo dados da YCharts.
A queda também atingiu o S&P 500, índice que reúne 500 das principais empresas negociadas nos Estados Unidos, que recuou 1,21%. Já o Dow Jones terminou a sessão praticamente estável, com alta de 0,02%.
Quais empresas mais perderam valor?
Segundo informações da Reuters e da Associated Press (AP), as empresas ligadas à fabricação de semicondutores estiveram entre as mais afetadas.
Veja as principais quedas registradas no fechamento de quinta-feira (22):
|
Empresa |
Queda das ações |
|
Lam Research |
-11,8% |
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Marvell Technology |
-8,70% |
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AMD |
-8,10% |
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Intel |
-8,05% |
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Meta |
-6,98% |
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Micron Technology |
-6,26% |
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Nvidia |
-4,40% |
|
Tesla |
-3,08% |
O índice Philadelphia Semiconductor, que acompanha o desempenho das principais empresas de semicondutores dos Estados Unidos, despencou 6,7%.
A desvalorização também atingiu empresas que fornecem infraestrutura para IA. A CoreWeave, que aluga capacidade computacional em nuvem, perdeu cerca de 10,1% de seu valor na Bolsa.

Por que as gigantes da tecnologia estão caindo?
A principal preocupação dos investidores está relacionada ao volume de dinheiro que as empresas estão destinando à inteligência artificial, especialmente à construção de data centers, compra de chips e desenvolvimento de novos modelos.
O movimento ganhou força após a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, apresentar seus resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026.
A empresa informou que espera gastar entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em investimentos de capital neste ano, incluindo infraestrutura utilizada para inteligência artificial.
O intervalo representa uma elevação do valor mínimo anteriormente previsto, que era de US$ 130 bilhões.
O balanço também mostrou que a Meta registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no trimestre. Esse indicador representa o dinheiro que resta depois dos gastos operacionais e investimentos em ativos.
Ao mesmo tempo, a companhia anunciou a criação de uma nova classe de ações sem direito a voto, medida que poderá ampliar sua capacidade de financiamento.
Os números chamaram atenção porque, apesar da pressão sobre o caixa, a Meta registrou crescimento de 26% na receita do trimestre, que alcançou US$ 64,6 bilhões.
Diante dos resultados, investidores passaram a questionar quando os investimentos em IA começarão a produzir retornos financeiros suficientes para compensar seus custos.
A preocupação também afeta fornecedores como a Nvidia e a AMD, que dependem da continuidade dos investimentos em infraestrutura para sustentar a demanda por seus produtos.
Além disso, a alta dos preços do petróleo aumentou a preocupação com a inflação e o custo da energia. O barril do Brent subiu cerca de 4% na quinta-feira, para US$ 113,17, em meio às tensões no Oriente Médio.

A queda significa que a bolha da IA estourou?
A desvalorização de quinta-feira mostra que investidores estão mais atentos aos custos associados à corrida pela inteligência artificial, especialmente porque parte dos projetos ainda depende de grandes investimentos para começar a gerar receita.
Segundo a Reuters, o movimento também reflete incertezas sobre a sustentabilidade financeira dessa expansão e sobre quais empresas conseguirão obter os maiores retornos.
Entretanto, os números ainda não permitem concluir que o setor entrou em uma crise prolongada.
De acordo com a AP, o Nasdaq acumulava uma valorização de aproximadamente 11,9% em 2026, mesmo após a queda de quinta-feira.
Outro dado importante é que cerca de dois terços das empresas do S&P 500 registraram alta naquele pregão. O índice terminou em baixa porque as companhias de maior valor de mercado, especialmente as de tecnologia, têm peso elevado em sua composição.
Por enquanto, a reação de Wall Street evidencia que os resultados financeiros das empresas estão sendo avaliados com maior atenção, principalmente quando envolvem novas despesas com infraestrutura de IA.
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